27 dezembro 2007

Curiosidades sobre o cordel


Material de autoria do parceiro e Violeiro Fábio Sombra. Publicado originalmente no folheto “Proseando Sobre Cordel”.

Surgem os primeiros folhetos

Com a invenção da imprensa pelo alemão Johannes Gutenberg, por volta de 1440, os livros impressos ficaram com o custo mais acessível, e mais pessoas vieram a se interessar pela palavra escrita. Foi quando os trovadores perceberam a oportunidade de aumentar seus rendimentos e passaram a oferecer também o texto impresso de seus poemas, ao final de suas apresentações.


No início, esses versos não tinham ainda o formato de livrinhos encadernados e se constituíam de folhas soltas. Por isso, em Portugal ganharam o nome de folhas volantes. Na Espanha ficaram conhecidas como pliegos sueltos e na França como lttérature dcolportage.


A tradição chega ao Brasil

Junto com os colonizadores portugueses, a tradição dos trovadores e folhetos chegou ao Brasil e aos poucos, começou a se difundir pelo interior do país. E foi no sertão do Nordeste que acabou ganhando mais força e aceitação.
Apesar de está presente em nosso país desde o século XVI, somente no final do século XIX é que a literatura de cordel começou a adquirir a forma que conhecemos até hoje: livrinhos - também chamados de folhetos - encadernados e histórias contadas em estrofes de seis versos cada, a sextilhas.

E nessa mesma época surgiram os primeiros grandes mestres da literatura de cordel, como Ugolino Nunes da Costa, Germano da Lagoa e o mais conhecido de todos, Leandro Gomes de Barros (1868-1918).


De onde vem o nome cordel

Para entender a origem do nome, precisamos compreender como trabalhavam os vendedores de folhetos. Em sua eterna correria de feira em feira, viajando a cada dia para um lugarejo diferente, os vendedores tiveram de inventar uma maneira prática e barata de expor seus livros aos clientes e leitores.


Numa livraria tradicional, os livros são colocados em estantes e prateleiras. como não podem carregar esses móveis pesados com eles, os vendedores de folhetos costumam trazer em suas malas, junto com os livros, vários rolos de barbante. Ao chegar a praça do mercado, eles esticam essas cordinhas (ou cordéis) entre dois postes ou duas árvores e nelas penduram os livrinhos abertos na página central. Foi daí que surgiu o termo literatura de cordel, que conhecemos até hoje. Nos dias de vento, os vendedores prendem os livrinhos com regadores de roupa e pronto: está montada a livraria!


A figura do vendedor de folhetos
Nem sempre os livrinhos são vendidos pelo próprio poeta que os escreve. No entanto, a maioria dos vendedores de livrinhos de cordel sabe cantar e declamar os versos que vendem. para aumentar o interesse pela mercadoria, os vendedores costumam reunir uma roda de interessados e, ali, começam a declamar os versos de algum livro de sucesso.


Se o assunto é interessante, mais pessoas vão se aproximando. Quando a história chega ao momento de maior suspense, o vendedor interrompe a leitura, sorri para a multidão e pisca o olho dizendo:

- Para conhecer o final da história só comprando o livrinho!

Todos correm a comprar os folhetos. Logo após o esperto vendedor recomeça com a leitura de um novo livro e assim, nu bom dia chega a vender centenas de obras.

A aparência dos folhetos
O livrinho - o folheto - de cordel tradicional tradicional mede cerca de 10x16cm e tem geralmente 8,16 ou 24 páginas. raramente chega a 32 e raríssimos são os romances de 64 páginas. O papel é barato, bem fininho e de cor amarelada. O texto é todo em versos, quase sempre estrofes de seis versos cada uma.


Outra característica dos livros de cordel pode ser encontrada nos últimos versos de um folheto, onde o autor assina sua obra por meio de um ACRÓSTICO. O acróstico é um nome ou palavra resultante da união das primeiras letras de cada um dos versos de uma estrofe.

Os folhetos de cordel tradicional quase nunca trazem ilustrações em seu interior, mas as capas costumam mostrar gravuras feitas em xilografia. Nessa técnica o artista reproduz o desenho a través de um carimbo de madeira, escavado cuidadosamente com canivete ou formão.

Veja também:
A história do cordel
Métrica, rima e temas no cordel tradicional

O futuro e o presente do cordel



16 comentários:

  1. Deveria ter mais curiosidades,é o que eu acho

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  2. Deveria mesmo. Caso saiba de alguma é só me enviar. Irei pesquisar mais para publicar. Obrigado pela visita e comentário. Abraços.

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. Caro poeta Venelito, primeiramente agradeço o comentário com o alerta sobre o texto. Na verdade o texto é do parceiro Fábio Sombra, mencionei logo no início do artigo. Pedi autorização do mesmo para publicar em meu blog, pois o material original se encontrava em um de seus cordéis. Como Fábio é um artista completo, cantor, compositor, escritor e grande divulgador de nossa cultura popular, não tive o cuidado de verificar a veracidade do texto, inclusive peço desculpas pela falha, acreditava piamente até então, que era essa versão que descrevo. Peço sua ajuda para corrigir o texto ou que indique fontes onde posso refazer essa pesquisa e trazer a nossos leitores os fatos verdadeiros sobre a origem do termo Cordel. Mais uma vez agradeço. Abraços.

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  5. Gosto muito de cordel (livretos) sou de Gravatá PE e queria saber se exiate aqui em PE alguma associação de cordelistas ou alguém para avaliar nosso trabalho e nos indicar onde poderemos comercializar.. Sou poeta de cordel sob vários temas, mas sou solitário.. imprimo e distribuo..

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  6. Parabéns pela linguagem simples e direta! Trabalho cordel no Paraná (capital), aliás acho que a única da região sul, pelo menos que eu saiba. Amo essa cultura e ensino para jovens e professores em cursos e festivais. Visitem meu blog para ver algumas curiosidades...
    www.insightspedagogicos.blogspot.com
    Abraço

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  7. Século IXX ??????? q século eh esse?

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  8. My Egg ib Big pra vocêees.

    Gosteei do sitee bando de Nerds xD

    aGORA VO BATE PUNHEETAA AKEEEE / AUZ

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  9. ola eu só queria disser que vocês deveriam botar mais informações nesse site experimentem fazer isso e vocês veram quantos assexos

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  10. Das faces do ser humano,
    Seu agir e seu pensar
    O cordel é sempre escrito
    De forma peculiar
    Com rimas, métrica, oração,
    Com canto ou declamação
    Que faz rir ou emocionar
    Francisco dinis

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  11. Gostaria de acrescentar que a literatura de cordel foi um importante veículo de notícias. Em suas andanças pelas feiras no litoral, os poetas acabavam sabendo de notícias que não chegavam ao interior do país. Através de suas obras, as notícias viravam versos e, assim, chegavam às partes mais afastadas dos grandes centros. Isso aconteceu durante a 2ª Guerra Mundial, por exemplo.

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