21 maio 2013

Obras da série Guerra dos Tronos ganham capas inspiradas em literatura de cordel



Já imaginou misturar as obras de fantasia de George R. R. Martin com a clássica literatura de cordel do nordeste brasileiro? Bom, se você realmente imaginou isso, provavelmente você é Tenement Funster, o designer brasileiro por trás desse trabalho super criativo e bacana de ilustração. Utilizando uma técnica inspirada na xilogravura, Funster adaptou as cinco capas dos livros já publicados da série Guerra dos Tronos. Dá até vontade de ver essas imagens em edições de verdade dos livros, né?

Para ampliar as imagens e ver mais detalhes, clique nos links abaixo:
“A Guerra dos Tronos”
“A Fúria dos Reis”
“A Tormenta de Espadas”
“O Festim dos Corvos”
“A Dança dos Dragões”

Fonte: Revista Super Interessante

19 maio 2013

Eu, ela e a rede


Você já teve olhos vermelhos nas fotos, background desfocado, bordas mais escuras, impressão de que estava no ano de 1977 e a porra toda? Tirando os olhos vermelhos eu já vi e vivi todas essas coisas. Descobri que LO-FI não é um cantor de HIP-HOP e que Valencia não passa perto de ser uma cidade da Espanha. Comprar queijo se tornou um martírio pra mim.

- INSTAGRAM mais, pode ser?
- Instagram?
- Não, senhor! TRINTA GRAMAS a mais! Pode ser?

Comecei a ficar paranoico. Pudera. Minha namorada ganhou um iphone do pai e eu desejei, com todo o meu amor, que ele explodisse quando estivesse carregando. Não o pai. O celular. Eu até gosto da Apple. O problema são os aplicativos. Outro dia, já sabendo que ela não ia largar o maldito, levei-a para jantar num restaurante conhecido pelo rápido atendimento e preparação do prato. A puta-que-pariu foi quem me deu essa ideia. Vi uma estrela cadente naquela noite e pedi que o chef de cozinha tivesse uma disenteria por 2 dias. Não que a comida tivesse ruim, mas é que o prato era muito bonito e isso eu tenho que confessar. Percebendo o perigo, procurei rapidamente uma saída e perguntei à namorada se ela queria vinho ou suco. A resposta não veio. E não veio pelos 24 minutos e 43 segundos seguintes. Ela tinha tirando uma foto do prato. Comi, pedi a sobremesa, terminei e ela lá.

Tira foto, muda de posição, põe o Lo-fi, recorta, posta, curte, compartilha, comenta, divulga no Whatsapp, sincroniza com o Facebook, comenta de novo, retribui o elogio da amiga e a desgraça do celular não descarrega! O que não faria diferença, pois ela comprou um carregador portátil que, com certeza, é da Demônio’s Corporation.

- Pera, amor. Tô falando com a Renata no Whatsapp.
Na mesma hora, carreguei quase que à força para a casa da Renata e a deixei lá conversando com a amiga. Na esperança de fazer um bem à humanidade e tentar fazer com que as relações interpessoais voltassem ao que era antes. Saí pelo portão da frente e antes que eu entrasse no carro, meu celular toca: O assobio do Whatsapp: - Te amo, amor. (L) – Voltei na mesma hora.
- Você tava comigo até agora e falando com a Renata no Whatsapp.
- Sim.
- Agora que você está com ela, fala comigo no Whatsapp?!
- Hum rum!
Inspira... expira... inspira... expira. “Creio em Deus pai, todo poderoso. Criador do céu e da terra... o Mark Zuckerberg vai pro inferno, não vai?”
- Amor, Deus curtiu o seu status! Que porra é essa? Deus ta na rede?
- É Zeus!
- Zeus?
- O cachorro da vizinha!
- O cachorro da vizinha tem uma página no Facebook?
- Compartilhei uma foto dele ontem. Você nem curtiu! Tá acontecendo alguma coisa? Acho que a gente precisa conversar. O que está acontecendo com você?
- Comigo?

Desisti aí. A ideia que eu tinha de ménage a trois era outra. Duas mulheres se beijando... eu no meio da putaria... uva... vinho... banheira... essas parada. Agora eu imagino as duas fazendo biquinho e colocando a foto no Instagram. Imagina lá as hashtags: #instaporn #instamenage #instafoda. Hoje eu tenho ódio de cachorro e gato fofinho, lua cheia, comida bonita, céu azul com nuvens claras, rua com muita árvore, outono, pôr do sol, nascer do sol, sol, praia, espelho, academia, printscreen, casa antiga e uma porrada de coisa. Cara... não sei não. Não demora nada e os pedidos de namoro vêm com os Termos de Uso e Política de Privacidade.
Se eu acabei o namoro? Não! Só mudei meu status pra “Em um relacionamento enrolado: eu, ela e a rede”

Mano Garcia
https://www.facebook.com/omanologo?fref=ts

20 abril 2013

Cariri Cangaço de alma nordestina




Depois de Lavras da Mangabeira em Maio, Sousa e Nazarezinho em Junho, agora temos a confirmação da terceira e última grande avant premier do Cariri Cangaço neste 2013. Novamente rompendo as barreiras do Ceará, antes de mesmo de setembro chegar, teremos a Semana do Cangaço; 75 anos da morte de Lampião - Mistérios e Mentiras de Angico, no Cariri Cangaço: Piranhas e Canindé do São Francisco.

 A programação completa está sendo construída por uma equipe dos dois municípios, tendo a frente o Conselheiro Cariri Cangaço, Jairo Oliveira e o secretario de Cultura de Piranhas, Luiz Carlos Salatiel, que constará de Conferências, Palestras, Debates, Colóquios, Lançamento de Livros, Vídeos Documentários e muita festa com Xaxado e Forró Pé de Serra.

Para Jairo Oliveira, é uma "grande satisfação promover esta grande integração de nosso nordeste, o Cariri Cangaço, um evento de sucesso que nasceu no Ceará, chega a Alagoas e Sergipe com esta força de uma grande construção coletiva e com certeza será um grande evento". Para o Curador do Cariri Cangaço, Manoel Severo "voltar ao baixo São Francisco, estar em Piranhas, Poço Redondo e Canindé do São Francisco, onde temos tantos amigos e em dos principais cenários da história de nosso cangaço, ainda por cima promovendo um Cariri Cangaço dentro desta Semana Tradicional, é uma grande alegria, sem tamanho. Só temos que agradecer a todos os parceiros, aos Secret ários Salatiel, Francisco Edson, Hélcio, aos senhores Prefeitos dos municípios de Piranhas e Canindé e principalmente a esse grande amigo, profissional dos mais talentosos e para nosso urgulho, Conselheiro do Cariri Cangaço, Jairo Luiz Oliveira, parabens e em Julho, todos aqui nesta grande festa."

O Cariri Cangaço chega as estados de Alagoas e Sergipe através dos municípios de Piranhas e Canindé do São Francisco, entre os dois municípios o majestoso Rio São Francisco; de um lado Sergipe do outro, Alagoas. Encravados no chamado baixo São Francisco, Piranhas ao lado de Canindé do São Francisco e outros municípios próximos, como Poço Redondo e Olha D'agua do Casado, são cenários importantes e vitais dentro da história do cangaço nordestino. Ali, no visinho Poço Redondo se localiza o cenário do último ato de Virgulino Lampião: A Grota do Angico.

Um dos pontos alto da Programação do evento em Piranhas e Canindé será a homenagem prestadas pelos municípios e pelo Cariri Cangaço a um de seus mais ilustres filhos: Alcino Alves da Costa, o Caipira de Poço Redondo, terra que amou e pela qual se dedicou por toda uma vida.

Tudo isso só foi possível pela dedicação e entusiasmo de todos vocês, grande abraço,
Manoel Severo

Mais informações
www.cariricangaco.com

17 abril 2013

Poesia - Jesus no Xadrez



Jesus No Xadrez
(Cordel Do Fogo Encantado)

No tempo em que as estradas
Eram poucas no sertão
Tangerinos e boiadas
Cruzavam a região
Entre volante e cangaço
Quando a lei
Era a do braço
Do jagunço pau-mandado
Do coroné invasô
Dava-se no interiô
Esse caso inusitado

Quando o Palmeira das Antas
Pertencia ao capitão
Justino Bento da Cruz
Nunca faltô diversão
Vaquejada, canturia
Procissão e romaria
sexta-feira da paxão

Na quinta-feira maió
Dona Maria das Dores
No salão paroquial
Reuniu os moradores
Depois de uma preleção
Ao lado do capitão
Escalava a seleção
De atrizes e atores

Todo ano era um Jesus
Um Caifaz e um Pilatos
Só não mudavam a cruz
O verdugo e os maltratos

O Cristo daquele ano
Foi o Quincas Beija-flor
Caifaz foi Cipriano
Pilatos foi Nicanô

Duas cordas paralelas
Separavam a multidão
Pra que pudesse entre elas
Caminhar a procissão

Quincas conduzindo a cruz
Foi num foi adivirtia
O Cinturião perverso
Que com força lhe batia

Era pra bater maneiro
Bastião num intidia
Divido um grande pifão
Que tomou naquele dia
D'um vinho que o capelão
Guardava na sacristia

Cristo dizia:
- Ô rapais, vê se bate divagar
Já to todo incalombado
Assim num vô agüentar
Tá cá gota pra duer
Ou tu pára de bater
Ou a gente vai brigar
Jogo já essa cruis fora
Tô ficando aperriado
Vô morrê antes da hora
De ficar crucificado

O pior é que o malvado
Fingia que num ouvia
E além de bater com força
Ainda se divirtia
Espiava pra Jesus
Fazia pôco e dizia:
- Que Cristo frôxo é você?!
Que chora na procissão
Jesus, pelo que se sabe
Num era mole assim não
Eu to batendo com pena
Tu vai vê o que é bom
Na subida da ladeira
Da venda de Fenelom
O côro vai ser dobrado
Até chegar no mercado
A cuíca muda o tom

Naquele momento ouviu-se
Um grito na multidão
Era Quincas
Que com raiva
Sacudiu a cruz no chão
E partiu feito um maluco
Pra cima de Bastião
Se travaram no tabefe
Pontapé e cabeçada
Madalena levou queda
Pilatos levou pancada
Deram um cacete em Caifaz
Que até hoje num faz
Nem sente gosto de nada

Dismancharam a procissão
O cacete foi pesado
São Tumé levou um tranco
Que ficou desacordado
Acertaram um cocorote
Na careca de Timote
Que inté hoje é aluado

Inté mesmo São José
Que num é de confusão
Na ânsia de defender
Seu filho de criação
Aproveitou a garapa
Pra dar um monte de tapa
Na cara do bom ladrão

A briga só terminou
Quando o dotô delegado
Interviu e separô
Cada santo pro seu lado

Desde que o mundo se fez
Foi essa a primêra vez
Que Jesus foi pro xadrês
Mas num foi crucificado