10 Novembro 2009

Seu Lunga – O cabra mais ignorante do mundo!

Uma lenda vida, literalmente. Seu Lunga para os mais desavisados é o cabra mais ignorante do mundo. Alguns até dizem que ele está prestes a entrar na seleta lista do Guiness Book – O famoso livro dos recordes - em função disso. Sua fama vai de Norte a Sul do Nordeste e já está tomando conta do Brasil.


Muitos acham que Seu Lunga não existe, que é apenas um personagem do folclore Nordestino, mas ele existe sim. É de carne, osso e "ignorância". Mora em Juazeiro do Norte-CE, na região do Cariri, onde também situa-se a cidade do Crato, Barbalha, entre outros municípios. Seu nome de batismo é Joaquim dos Santos Rodrigues, tem 81 anos e possui uma espécie de Sucata na Rua Santa Luzia, próxima a Rua São Paulo. Quem duvidar, basta conferir.

Seu Lunga é figura clássica em causos ou piadas aqui no Nordeste. Tão famosas quando piadas de papagaio, bêbado, rapariga, corno ou viado, são as histórias que fazem alusão a falta de paciência dele. Devido a toda essa fama, muita gente que vai a Juazeiro, não que vê o Padre Cícero não, prefere conhecer Seu Lunga. Ele já virou cordel, desenho animado, monografia e até nome de banda.

Infelizmente ainda não o conheço pessoalmente, mas quem já viu, diz que apesar de todo esse mito, ele é um cabra gentil, educado e muito esperto. Adora conversar e contar versos de sua autoria. O que falta mesmo em Seu Lunga é paciência. Antes de perguntar alguma coisa a ele, pense, pense muito para não perguntar besteira.

Vídeos de Seu Lunga
Explicando que não é ignorante
Rolamento de carroça
Expulsando os clientes de sua sucata
Recitando poesias
Mais poesias
Conselhos
Contos de Seu Lunga
Desenho
E pra finalizar, Seu Lunga indo comprar troço na venda

Quem souber mais sobre Seu Lunga, basta entrar em contato ou deixar um comentário. Pode ser mais piadas, fotos, vídeos, enfim, se for sobre ele, pode mandar.

04 Novembro 2009

Nordestinês: não troco meu oxente por ok de ninguém


Existem vários Brasis dentro do Brail devido a grande riqueza e diversidade cultural. O jeito que se fala no nordeste é completamente diferente de como se fala no sul, por exemplo. E não estou me referindo apenas ao sotaque, mas principalmente no modo peculiar de falar e de inventar palavras do povo brasileiro. Veja como fala o nordestino em determinadas situações:

Nordestino não fica solteiro, ele fica solto na bagaceira!
Nordestino quando se empolga, fica com a mulesta dos cachorros!
Nordestino não bate, ele 'senta-le' a mãozada!
Nordestino não sai pra farra... ele sai pro muído, pra bagaça!
Nordestino não bebe um drink, ele toma uma!
Nordestino não é sortudo, ele é cagado!
Nordestino não corre, ele dá uma carreira!
Nordestino não malha dos outros, ele manga!
Nordestino não conversa, ele resenha!
Nordestino não toma água com açúcar, ele toma garapa!
Nordestino não percebe, ele dá fé!
Nordestino não sai apressado, ele sai desembestado!
Nordestino não aperta, ele arroxa!
Nordestino não dá volta, ele arrudeia!
Nordestino não espera um minuto, ele espera um pedacinho!
Nordestino não é distraído, ele é avoado, apombaiado!
Nordestino quando está irritado com alguém que fica diz: Homi largue de frangagem!
Nordestino não fica com vergonha, ele fica encabulado, todo errado!
Nordestino não passa a roupa, ele engoma a roupa!
Nordestino não houve barulho, ele ouve zuada!
Nordestino não acompanha casal de namorados, ele segura vela!
Nordestino não rega as plantas, ele 'agoa' as plantas.
Nordestino não quebra algo, ele tora!
Nordestino não é esperto, ele é desenrolado!
Nordestino não é rico, ele é um cabra estribado!
Nordestino não é homem, ele é macho!
Nordestino não pede almoço, ele pede o cumê
Nordestino não come carne, ele come 'mistura'
Nordestino não lancha, merenda!
Nordestino não fica cheio quando come, ele enche o bucho!
Nordestino não dá bronca, dá carão!
Nordestino não tem diarréia, tem caganeira!
Nordestino não tem mau cheiro nas axilas, ele tem suvaqueira!
Nordestino não tem perna fina, ele tem dois cambitos!
Nordestino não é mulherengo, ele é raparigueiro!
Nordestino não se dá mal, ele se lasca todinho!
Nordestino não é cheio de frescura, é pantinzeiro!
Nordestino não pula, dá pinote!
Nordestino não fica bravo, fica com a gota serena!
Nordestino não é malandro, é cabra de pêia!
Nordestino não fica apaixonado, ele arrêia os pneus todinho!


Veja também o dicionário nordestino

03 Novembro 2009

Galeria de mortais - poetas e escritores pernambucanos


Muito interessante a ideia dos autores do site Interpoética. Eles criaram a seção “Galeria dos mortais”, trata-se de uma academia pernambucana de escritores e poetas. Cada mortal tem seu tamborete cativo e numerado de caráter vitalício, podendo vir a ser ocupado por outro escritor após a morte de seu antecessor.

Segundo os autores do site, foram escolhidos 20 poetas a partir da observação da cena literária pernambucana, dentre aqueles que trilham caminhos não ortodoxos, fogem dos rumos acadêmicos e mantêm militância literária independente, marginal, alternativa, periférica, ou aqueles que simplesmente se julgam mortais como a vida.

Conheça os 20 mortais clicando em seus nomes:

1º Tamborete – Altair Leal (Patrono: Francisco Espinhara)
2º Tamborete – Lara
3º Tamborete – Samuca Santos
4º Tamborete – Valmir Jordão
5º Tamborete – Cícero Melo (Patrono: França)
6º Tamborete - Morô
7º Tamborete – Manoel Constantino
8º Tamborete – Jorge Lopes
9º Tamborete – Hector Pellizze
10º Tamborete – Allan Sales
11º Tamborete - Malungo
12º Tamborete – Silvana Menezes
13º Tamborete – Fernando Chile
14º Tamborete – Edvaldo Bronzeado
15º Tamborete – Joca de Oliveira
16º Tamborete – Meca Moreno
17º Tamborete – Bruno Candéas
18º Tamborete – Ivan Marinho
19 º Tamborete – Susana Morais
20 º Tamborete – Carlos Carlos

O Interpoética é editada pela poeta Cida Pedrosa e pelo webmaster Sennor Ramos.

30 Outubro 2009

Minha vida era um porre quando eu era cachaceiro


Minha vida era um porre
Quando eu era cachaceiro
(Allan Sales)


Agradeço ao Dedé
Pela sua interferência
Demonstrando competência
No poema sua fé
O seu verso que dá pé
Meu poeta verdadeiro
Seu poema mensageiro
Nesta hora me socorre
Minha vida era um porre
Quando eu era cachaceiro

Com conhaque de alcatrão
Serra Grande e pitulina
Tomar rum foi minha sina
E purinha com limão
Era chope de montão
Meu ofício de caneiro
Bagunçando num puteiro
Muita gente assim que morre
Minha vida era um porre
Quando eu era cachaceiro

Era mesmo uma desgraça
Meu viver sem ter limites
Aceitando tais convites
Pra beber muita cachaça
Era um craque na manguaça
Nisso fui bom tarefeiro
Me lasquei ó companheiro
Meu viver sem isso corre
Minha vida era um porre
Quando eu era cachaceiro

Vi amigo se lascar
Enterrei assim uns seis
Mas saí foi duma vez
E não quis mais me matar
Desisti de biritar
E mudei foi por inteiro
Saravá Dedé Monteiro
Cuja verve aqui escorre
Minha vida era um porre
Quando eu era cachaceiro.


Glosas e mote agradecendo ao poema do Poeta Dedé Monteiro.
Jornal da Besta Fubana

27 Outubro 2009

Cantoria na praia é diferente do baião de viola no sertão


Grandes cantadores e um clássico do cordel: Raimundo Nonato e Edmilson Ferreira trabalhando o tema: Cantoria na praia é diferente do baião de viola no sertão.

Raimundo Nonato

Na cidade eu me sinto forasteiro,
mesmo sendo poeta repentista,
se a maré é mais bela pra o turista,
o sertão é melhor pra o violeiro,
tem peru dando voltas no terreiro,
tem cavalo amarrado no mourão,
uma vaca empurrando um cancelão
e um cachorro deitado num batente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.
Edmilson Ferreira

A cidade que eu canto não é ruim
o repente que faço é sem desmétrica,
mas aqui se vê só a luz elétrica,
no sertão que eu nasci, não é assim,
um pinguço rodeia um botequim,
com um copo de cana em sua mão,
é um gole na boca, outro no chão,
Já que o santo precisa de aguardente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

Raimundo Nonato

Sei que o mar é gigante, é sem igual,
e o sertão é bonito e hospitaleiro,
tem um galo cantando no poleiro,
e um capote correndo num quintal,
uma foice de ferro no frechal,
uma rede de saco no oitão,
e um tição esperando no fogão,
que o fogo da trempe fique quente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

Edmilson Ferreira

Imaginem no chão de Ibiapaba,
um poeta no timbre da garganta,
quando pensa um baião, se inspira e canta,
Deus ajuda e o verso não se acaba,
cantador é do jeito de piaba,
não dá certo encostado a tubarão,
e o apito da grande embarcação
não imita toada de repente.
Cantoria na praia é diferente
do baião de viola no sertão.

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