29 julho 2015

No tempo da minha infância

No tempo da minha infância
(Ismael Gaião)


No tempo da minha infância
Nossa vida era normal
Nunca me foi proibido
Comer muito açúcar ou sal
Hoje tudo é diferente
Sempre alguém ensina a gente
Que comer tudo faz mal

Bebi leite ao natural
Da minha vaca Quitéria
E nunca fiquei de cama
Com uma doença séria
As crianças de hoje em dia
Não bebem como eu bebia
Pra não pegar bactéria

A barriga da miséria
Tirei com tranquilidade
Do pão com manteiga e queijo
Hoje só resta a saudade
A vida ficou sem graça
Não se pode comer massa
Por causa da obesidade

Eu comi ovo à vontade
Sem ter contra indicação
Pois o tal colesterol
Pra mim nunca foi vilão
Hoje a vida é uma loucura
Dizem que qualquer gordura
Nos mata do coração

Com a modernização
Quase tudo é proibido
Pois sempre tem uma Lei
Que nos deixa reprimido
Fazendo tudo que eu fiz
Hoje me sinto feliz
Só por ter sobrevivido

Eu nunca fui impedido
De poder me divertir
E nas casas dos amigos
Eu entrava sem pedir
Não se temia a galera
E naquele tempo era
Proibido proibir

Vi o meu pai dirigir
Numa total confiança
Sem apoio, sem air-bag
Sem cinto de segurança
E eu no banco de trás
Solto, igualzinho aos demais
Fazia a maior festança

No meu tempo de criança
Por ter sido reprovado
Ninguém ia ao psicólogo
Nem se ficava frustrado
Quando isso acontecia
A gente só repetia
Até que fosse aprovado

Não tinha superdotado
Nem a tal dislexia
E a hiperatividade
É coisa que não se via
Falta de concentração
Se curava com carão
E disso ninguém morria

Nesse tempo se bebia
Água vinda da torneira
De uma fonte natural
Ou até de uma mangueira
E essa água engarrafada
Que diz-se esterilizada
Nunca entrou na nossa feira

Para a gente era besteira
Ter perna ou braço engessado
Ter alguns dentes partidos
Ou um joelho arranhado
Papai guardava veneno
Em um armário pequeno
Sem chave e sem cadeado

Nunca fui envenenado
Com as tintas dos brinquedos
Remédios e detergentes
Se guardavam, sem segredos
E descalço, na areia
Eu joguei bola de meia
Rasgando as pontas dos dedos

Aboli todos os medos
Apostando umas carreiras
Em carros de rolimã
Sem usar cotoveleiras
Pra correr de bicicleta
Nunca usei, feito um atleta,
Capacete e joelheiras

Entre outras brincadeiras
Brinquei de Carrinho de Mão
Estátua, Jogo da Velha
Bola de Gude e Pião
De mocinhos e Cawboys
E até de super-heróis
Que vi na televisão

Eu cantei Cai, Cai Balão,
Palma é palma, Pé é pé
Gata Pintada, Esta Rua
Pai Francisco e De Marré
Também cantei Tororó
Brinquei de Escravos de Jó
E o Sapo não lava o pé

Com anzol e jereré
Muitas vezes fui pescar
E só saía do rio
Pra ir pra casa jantar
Peixe nenhum eu pagava
Mas os banhos que eu tomava
Dão prazer em recordar

Tomava banho de mar
Na estação do verão
Quando papai nos levava
Em cima de um caminhão
Não voltava bronzeado
Mas com o corpo queimado
Parecendo um camarão

Sem ter tanta evolução
O Playstation não havia
E nenhum jogo de vídeo
Naquele tempo existia
Não tinha vídeo cassete
Muito menos internet
Como se tem hoje em dia

O meu cachorro comia
O resto do nosso almoço
Não existia ração
Nem brinquedo feito osso
E para as pulgas matar
Nunca vi ninguém botar
Um colar no seu pescoço

E ele achava um colosso
Tomar banho de mangueira
Ou numa água bem fria
Debaixo duma torneira
E a gente fazia farra
Usando sabão em barra
Pra tirar sua sujeira

Fui feliz a vida inteira
Sem usar um celular
De manhã ia pra aula
Mas voltava pra almoçar
Mamãe não se preocupava
Pois sabia que eu chegava
Sem precisar avisar

Comecei a trabalhar
Com oito anos de idade
Pois o meu pai me mostrava
Que pra ter dignidade
O trabalho era importante
Pra não me ver adiante
Ir pra marginalidade

Mas hoje a sociedade
Essa visão não alcança
E proíbe qualquer pai
Dar trabalho a uma criança
Prefere ver nossos filhos
Vivendo fora dos trilhos
Num mundo sem esperança

A vida era bem mais mansa,
Com um pouco de insensatez.
Eu me lembro com detalhes
De tudo que a gente fez,
Por isso tenho saudade
E hoje sinto vontade
De ser criança outra vez...

12 junho 2015

Nova Edição - Para rir até chorar com a cultura popular

Este livro busca a essência da mais pura poesia popular. E decifra suas mais diversas formas de composições. Foi com essa intenção que o autor desta obra fez um estudo e descreveu em mais de 300 páginas os mais variados ramos da cultura popular, traduzidas em poesias, cantorias, literatura de cordel, emboladas, canções, gestas e romances. A trajetória dos repentistas e o universo dos seus conhecimentos, são aqui narrados, mostrando ainda aquilo que somente os grandes mestres da sabedoria popular podem interpretar fielmente.

Nesta 2ª edição, revista e melhorada, o autor ampliou suas observações, introduziu novos capítulos e aumentou o número de gêneros da cantoria. O resultado foi um aumento no campo e pesquisa de quem necessita compreender a literatura de cordel.

Saiba mais sobre o autor
Saiba mais sobre o livro
Leia alguns trechos

E continua repassando para o leitor as brigas poéticas engraçadas, cantadas ou faladas, de poetas nordestinos. Uma farta análise relaciona cordel, emboladas, quadras, sextilhas, martelos, mourões e muitos outros gêneros da mais pura cantoria nordestina.



25 setembro 2013

Novo Filme Independente - Calango do Agreste

Elenco

Luz, Câmera, Ação! No último sábado, 21 de Setembro, na Vila Mariana em São Paulo, todo o elenco e a produção do novo filme CALANGO DO AGRESTE este presente para o coquetel da pré-produção do filme. Uma comédia interessante, envolvente além de personagens que se tornarão inesquecíveis. O filme Calango do Agreste terá suas primeiras cenas filmadas a partir de Novembro de 2013. O Lançamento previsto do filme é para Junho de 2014.

"Estamos com uma equipe legal, elenco sensacional, tenho certeza que este filme irá agradar à todos os públicos. Estão todos de parabéns", segundo Andrews Henrique (produtor).

"O roteiro está riquíssimo, com detalhes importantes onde histórias reais irão se misturar com a ficção. Será mais que um filme, será uma homenagem a este povo batalhador", segundo Jorge Barreto, diretor do filme.

Mesmo sendo uma comédia o filme não deixará de abordar as diferenças entre a cultura nordestina com a cultura paulista, além do cotidiano, irá mostrar vários problemas que existem numa sociedade grande como em São Paulo mas também abordar os problemas existentes aqueles que vivem no Nordeste brasileiro, a cada cena, uma história emocionante.

Roteiro e Direção de Jorge Barreto, com várias cenas no próprio Centro de Tradições Nordestinas. Calango do Agreste, o filme.


Veja abaixo a Sinopse do filme:
"CALANGO DO AGRESTE" CONTA A ESTORIA DE CORISCO, UM CABRA MACHO DESCENDENTE DE LAMPIÃO, MATUTO DO NORDESTE BRASILEIRO,COSTUMADO A DORMIR AO RELENTO, SEM RESIDENCIA FIXA, ELE E SEU CAVALO XIBUNGO SÃO CONHECIDO NA CIDADE ONDE MORA, NA PEQUENA E PACATA CIDADE DE MARIZÓPOLIS, É TEMIDO E RESPEITADO POR TODOS NA REGIÃO POR SER PISTOLEIRO,MATADOR DE ALUGUEL, ENTRE OUTRAS COISA É VAQUEIRO, LEVA A VIDA A TOCAR BOIADA NO AGRESTE. ATE QUE UM DIA, ATRAVÉS DE UM SONHO, A SORTE LHE SORRIU,ELE ACHOU UM DIAMANTE RARO, E ASSIM ELE VEM PARA SÃO PAULO PARA NEGOCIAR O DIAMANTE, MAU SABE ELE QUE ESTA SENDO SEGUIDO PELO DELEGADO E POR TRÊS ÁRABES DE SUA CIDADE, QUE QUEREM A QUALQUER CUSTOS O DIAMANTE, AO QUAL ELES O CONHECE POR O OLHO DO TIGRE, UMA PEDRA RARA DE
ALTÍSSIMO VALOR COMERCIAL. CHEGANDO EM SÃO PAULO, LOGO SE DEPARA COM UMA CENA DE ASSALTO, E ACABA SALVANDO DA MORTE UM JOVEM ESTUDANTE ALEX, COM QUEM COMEÇA UMA GRANDE AMIZADE, ASSIM COMEÇA A SUA TRAJETÓRIA NA CIDADE DE SÃO PAULO, A DESCOBERTA DESSE MUNDO NOVO O ENCANTA. ALEX TEM 25 ANOS ESTA FAZENDO FACULDADE DE CINEMA, TEM UMA GALERA TODA JOVEM QUE PASSA A SE ENCANTAR COM CORISCO,E O LEVAM PARA BALADAS, BARZINHOS, MAS O PERIGO LHE RONDA POR TODOS OS LADOS, COMO
SOBREVIVER NA CIDADE GRANDE? SE ACOSTUMAR COM AS DIFERENÇA SOCIAIS?  E AS PERSEGUIÇÕES POR CONTA DO SEU DINHEIRO ATRAINDO OS OPORTUNISTA, MAIS UMA ESTORIA EMOCIONANTE ENGRAÇADA, CHEIA DE AVENTURA ROMANCE E SUSPENSE.


Um filme de Jorge Barreto
Créditos das Fotos: Léo Castro
Matéria feita por: Stéfano Matos (Assessoria de Imprensa)
Contato: andrews.henrique@agenciaonoff.com.br
Cel.: (11) 9-4891-8044

12 junho 2013

Pedido Nordestino