25 Novembro 2008

Escravos de Jó jogavam caxangá?

A cantiga popular todo mundo conhece:

"Escravos de Jó, jogavam caxangá

Tira, bota, deixa o Zé Pereira ficar...

Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá

Guerreiros com guerreiros fazem zigue zigue zá...
"

Mas você sabe quem era Jó? Por que ele tinha escravos? Que jogo caxangá é esse?

Jó é um personagem bíblico do antigo testamento que possuía uma grande paciência. Dai a expressão "Paciência de Jó". Segundo a Bíblia, Deus apostou com o Diabo que Jó, mesmo perdendo as coisas mais preciosas que possuía (filhos e fortuna) não perderia a fé.

Nada indica que Jó tinha escravos e muito menos que jogavam o tal caxangá. Acredita-se que a cultura negra tenha se apropriado da figura para simbolizar o homem rico da cantiga de roda. Os guerreiros que faziam o zigue zigue zá, seriam os escravos fugitivos que corriam em ziguezague para despistar o capitão-do-mato.

O mais difícil de entender é o que seria o caxangá. Segundo o dicionário Tupi-Guarani-Português, a palavra vem de caá-çangá, que significa "mata extensa". Para o Dicionário do Folclore Brasileiro, é um adereço muito usado pela mulheres do estado de Alagoas. A verdade é que a cantiga vem sofrendo e ainda sofre modificações em seus versos de estado para estado. Afinal de contas, o correto seria deixarmos o Zambelê ou o Zé Pereira ficar?

13 Comentários:

Dalinha Catunda disse...

Olá Marcos,
Dei um pulinho até o Ceará, ms já estou aqui para apreciar suas postagens. De texto em texto vamos enchendo nosso baú cultural as suas custas. 'Escravos de Jó" acompanhado de suas explicações fica bem mais interessante.
Saudades!!! um abraço carinhoso
Dalinha Catunda

Marcos França disse...

Oi Dalinha, percebi sua ausência. Que bom que esteja de volta! Grande abraço.

Enos Mendes disse...

Jó foi no seu tempo o que foi para nós Rockfeller, Bill Gates e qualquer xeique árabe: rico até não poder mais!
Mas ele também entrou pelos canos...e voltou a ser rico novamente pela graça de Deus...

Ricardo disse...

Quanta cultura numa cantiga de roda, e para não dizer mistério também.Pelo que entendi houve uma mescla da cultura negra com a bíblica.Será que esta cantiga não foi criada por alguma mucama e asinhá moça a repetiu ?Jesus,Maria e José, já estou viajando !
parabéns pelo post
abraços

Lisa disse...

Nunca tinha parado para pensar, gostei das explicações.
Abs
Lisa

Nuzzi disse...

Marcos, temos uma das melhores culturas em relação a nossa história, e claro que voçê foi muito feliz em seu post. Jó foi dentre os personagens bíblicos o que mais demonstrou sua fé, com sua paciência de Jó.O restante deve ser o que mecionou , obra da paciência de nosso povo.

Abs.

Nuzzi.

Jorge Fortunato disse...

Eu acho que o Jó da canção pode ser algum senhor de escravos que tinha esse nome. Não precisa ser necessariamente o Jó da bíblia. Enfim, a música é ótima mas a letra é totalmente sem sentido, mas vale pela ciranda, pela brincadeira.

Luciana disse...

Essas histórias de lendas e ditos populares são interessantes. Dependendo do povo, a história pode se modificar. E aí, acabamos tendo mais de uma versão para uma mesma cultura. Adorei a história! Beijos!

Alcione disse...

Aqui na Bahia a gente canta deixando o Zabelê ficar e não o Zé Pereira.

Patty disse...

Pena que hoje em dia poucas crianças conhecem essa e outras cantigas do nosso folclore. Beijo

Anônimo disse...

Bacamarte apaixonado

Vou vestir minhas roupas de zuarte
E zoar junto com os mamulengos
Armado com meus bacamartes
Vou seguir os zabumbeiros
Vem bumba-meu-boi
Bumba
Que hoje eu quero ma acabar
Depois da vaquejada
Na quadrilha matuta
A dança do coco
Eu vou dançar
Mais tarde
No forró de Mané Vito
Vou arrastar meu pé no chão
Com o som do sanfoneiro
Vou fazer o meu baião
Amanha é dia de reis
Vou no pastoril cantar o meu reisado
Depois na ciranda
Vou deixar o meu recado
Pra mulher que tanto amo
Vou declamar o meu cordel
Meu amor, minha rainha
Já tô com saudade
Do teu beijo e do teu mel............

Sandro Kretus

O andarilho da terra do fogo
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1346801

Anônimo disse...

Biel é um menino doente... na dramatização realizada dentro do municipio biel foi o cachangá... mais era uma peça gay então era o gay q só levava.

HELIO disse...

Pois é...
Muita história para uma simples cantiga de roda.
E olhem que já tem mais de 100 anos!
Sou mais a favor de ser uma cantiga trazida pelos
escravos de Africa do que uma exportação lusitana.
Os sofridos africanos não trouxeram somente a
religiosidade nativa para as senzalas lusitanas,
trouxeram também cantigas de roda, pois milhares
de crianças africanas foram vítimas da hodionda
prática escravagista.
Escravos ou não as crianças brincavam!
O tal Zé Pereira chegou em bonde atrazado e num
dia de Carnaval, nada a ver com Jó...
E de tanto pesquisar tenho minhas conclusões:
Não é uma cantiga mineira nem brasileira, apesar
de brejeira...
Caxamgá pode ter sido uma expressão cuja escrita
se perdeu pelo tempo.
Sem essa de ser tupi-guarani!
Seu significado, pela ação da cantiga de roda me
parece ser uma bolsa em que os guerreiros jogavam
de um para o outro, deixando do tal de "zambelê" tentar recuperá-la.
(Coisa assim como fazemos um jogo com bola de futebol, numa roda, onde um "bobo" tenta recuperar a bola que passa alternadamente de um
para o outro na roda).
Quem encontra uma similaridade para o tal "jogar
bôbo" com a bola?
Escravos podem ter sido de Jó, sim, pois o patriarca bíblico tinha uma família muito grande
e havia um sistema de se vender escravos naquela
época que eram aceitos como serviçais, havia um
conceito diferente para a palavra escravo também.
O fato de Jó ser paciente e bom faria dele um homem piedoso até para pessoas que se agregaram a
sua familia como "escravos".
O zambelê pode ter sido aquele que guardava numa mochila ou bolsa, os "caxás" ou seja, moedas ou
jóias miudas obtidas como lucro das caravanas de
comércio na época de Jó, ou produto de soldo de
guerra.
Então gente, vamos brincar de jogar Caxambá, sem
passarmos de bobos e sem outros adjetivos que só dão desméritos a uma brincadeira tão alegre e inocente!

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